terça-feira, 19 de abril de 2022



     Não há fumaça sem fogo. Logo, penso que não existe escrita sem haver leitura. Quando me deparo com os leitores e, estes me perguntam de onde tiro minhas ideias, sinto que as respostas estejam justamente no processo contínuo da leitura. Os livros são nosso mais importante alimento, eles nos guiam e nos mostram melhor que qualquer mestre ou professor, a encontrarmos nossa própria voz. Ainda que não possamos afirmar que a presença de um instrutor seja indispensável para aprendermos a escrever, sei dizer que a escrita verdadeira começa numa camada superior. A camada de nossa personalidade. 
     É evidente que o caminho da escrita é árduo, às vezes, ou geralmente, sempre, a escrita surge em momentos imprevisíveis, portanto, precisamos ficar atentos. O pintor Pablo Picasso costumava dizer: "quando a inspiração me vier, espero estar pintando".  Sinto que com a escrita, isso não é a mesma coisa, ou seja, temos que ficar em sintonia. Atentos a tudo e todos, hoje talvez, aquela situação inusitada ou certas pessoas em nosso círculo de conversas, podem despertar vários sentimentos estranhos, confusos, pensamentos que nos tiram do eixo, e isso pode ser uma grande fonte.
     Eu sempre tive muita afinidade com a leitura sobre mitos, religiões, culturas e civilizações antigas. Com o tempo, isso não bastou. Procurei não apenas as entrelinhas dessas relíquias, mas busquei saber o que se passava com as pessoas desses temos perdidos. Coisas comuns como o que ouviam, o que liam, o que comiam e como velavam seus mortos entre outros detalhes que faziam mais que a estrutura de suas trajetórias, porém, a essência daquilo que futuramente usei para fundamentar o inconsciente dos meus personagens. 
     Hoje, após um ano da publicação do meu primeiro livro, Ctônio: Memórias do Deus da morte, recebo devolutivas das mais diversas cargas de sentimentos, dúvidas e curiosidades. Isso me dá ânimo, revela que meus leitores estão com sede de conhecimentos e desejam saber mais que tão somente os detalhes da trama. Há uma fome peculiar que consigo identificar em suas perguntas, algo que a cada encontro ou troca de mensagem, e-mail e conversas pessoais, denunciam que de alguma forma, criaram um vínculo especial de identificação com a forma de ser e sentir dos personagens. O curioso é que isso varia de maneiras muito singulares e improváveis. 
     Diante disso, só posso concluir que estou no caminho certo, que minha obra, apesar de jovem e no início de seu percurso, está tocando corações e consciências em lugares que eu nem sequer consigo supor. Tal confirmação é tocante e, ao mesmo tempo, assustadora, pois, mostra que ao tomarmos as rédeas de uma história, estamos cientes do quão responsáveis somos com nossas palavras.      

Todos os direitos são reservados a Leandro Matzenbacher Dourado, é proibida a divulgação de material, sem autorização.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022


De todas as dicas valiosas para a escrita que já recebi, talvez, a que considero mais importante é: escreva primeiro para você! Isso pode soar um tanto egoísta, no entanto, é algo que todo escritor consegue sentir ao ver sua obra acabada. Isso porque, escrever é ter algo a dizer para as outras pessoas, e se começarmos a nos engessar em métodos, temas da moda ou formas de linguagem, podemos perder a essência de nosso objetivo.
É evidente que seguir certos procedimentos técnicos, é importante, como estarmos atentos ao que os leitores estão de olho, ou detalhes gramaticais, porém, se não deixarmos nossa voz interior falar, arriscamos mecanizar as palavras, e estas, perderão seu brilho. No fim, podemos nos perguntar se nosso esforço atingiu seus objetivos, e a resposta será positiva quando, diante da obra concluída, sentiremo-nos parte de algo maior, ainda que isso tenha vindo de nós mesmos.
O escritor precisa ter familiaridade e estranheza frente ao seu produto, resultado este, que não é somente uma construção racional, e sim, um reencontro com aquilo que existe de secreto e desconhecido em cada leitor e, por que não, algo que soe único e autônomo. A obra pode ter seu nome, mas precisa ter vida própria, do contrário, tende a repetir-se.




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Onde encontro inspiração para a escrita?
Essa é uma questão estranha. Gosto de pensar que a escrita é como a fumaça, e que sua causa, o fogo, é a leitura. Existem diferentes tipos de leitura, não basta sermos ávidos leitores. Há muitas pessoas que se dedicam a esse nobre ofício, mas não escrevem uma linha sequer. Logo, prefiro pensar que TUDO é um texto. É evidente que isso não nos exime como escritores, de sermos leitores compulsivos. Todavia, escrever vai além de manifestar arremedos ou criar uma rotina. O escritor é uma criatura sensível, é do tipo que absorve sons, cheiros, pequenas mudanças na temperatura ou simplesmente, desenvolve a capacidade de sentir sutis diferenças no ar.
Penso que esse é um bom começo. Você pode ser silencioso por fora, mas por dentro, deve alimentar o caos. O caos, a inquietude e os sentimentos, são excelentes fontes inspiradoras. Podemos dizer que quando tudo vai bem, a escrita fica pacata, porém, quando o mundo a nossa volta parece sofrer de indigestão, é que as letras ganham sumo, elas saltam com facilidade, isso porque, sentem quem precisam comunicar sobre o que está escapando pelo invisível.
Portanto, a boa inspiração, é uma equação sem equilíbrio, vibrando e desejando ser lida, absorvida e percebida. O mundo, a realidade, o costume, coisas normais, em suma, são detalhes obscuros, abismos secretos. O escritor é uma criatura que enxerga detalhes, é um ser que consegue observar os detalhes da costura incolor que cinge fatos, propósitos e anseios. De todos os requisitos que cremos serem os mais encantadores para motivar a escrita, suponho que nenhum é tão poderoso quanto o simples querer.
Você pode não ter nada sobre o que escrever, pode sequer, estar nu de conceitos ou ideias... Contudo, se o querer estiver presente, este, é o seu começo. A questão não se limita em olhar para algo e descrever, ou, observar pessoas ao longe e imaginar o que pensam, a questão é encontrar o que ainda não foi dito. Algo que, ainda que discreto, possa ser percebido pulsando um palmo abaixo do óbvio. Por fim, deixemos o coração tomar as rédeas, ele sabe onde estão as passagens secretas, depois, deixamos o coração tomar fôlego e requisitamos o cérebro para corrigir pequenos desleixos e, dar voz racional aos imensos constructos da alma.

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022






     O que se espera de uma ficção? É provável que muitos leitores busquem ler ficção para viajar no tempo, esta inclusive, a única forma real e conhecida de fazê-lo, ao menos por enquanto. É por meio da ficção e sua evidente estranheza que a literatura reconta o que o passado deixou escapar e “prevê” o futuro de formas inusitadas. Tateando o verniz das possibilidades e adquirindo asas para a imaginação. 
     Ctônio: Memórias do Deus da morte, disponibiliza tal experiência, percorre as linhas do tempo e flerta com muitas camadas. É como uma imagem repleta de elementos desconexos, cuja aparência final, traduz uma harmonia estranha. Tudo se encaixa, ainda que construído por elementos atípicos. 
     Assim é a escrita, letras que se juntam para dizer algo que ainda não foi dito, parágrafos impactantes que entram sorrateiros no inconsciente nos fazendo saltar da angústia para a euforia. Reserva-se ao caríssimo leitor, sentimentos, medos e purificação. Cada um, a sua maneira, será convidado a se diluir nesta narrativa encomendada para seres inquietos...

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terça-feira, 11 de janeiro de 2022



     Ctônio: Memórias do Deus da morte, foi escrito para se fazer pensar... – Mas afinal, pensar em quê? TUDO! É como subir uma escada, onde através das metáforas e dos contornos do passado, mitologia, religiões e os panteões sagrados ou os solos profanos saltam aos olhos cobrando seu penhor. 
     Ler é como escalar, precisa de fôlego, audácia, negar os medos internos e aceitar desafios. Ler é escalar montanhas, subir escadas ou rampas, onde em nossa volta, o universo deixa transparecer a sua costura. 
     Ler é subir tão alto que por vezes, nos dá a sensação de estarmos descendo em meio a cada fio vivo do destino, seja dos personagens ou do nosso próprio desígnio, percebendo-nos entrelaçados numa intensa catarse. 
     Ctônio é uma purificação... Uma condenação e uma redenção. Ele foi escrito para que o leitor sinta a voz do personagem dentro de sua cabeça e se pergunte como nesse mesmo instante que você lê isso agora e, pergunte de quem é a voz que soa em sua mente a cada letra decifrada. 
     É um livro para todos e nenhum, pois seu objetivo é causar náusea e afasia simultaneamente, sempre com conflitos entre opostos. É provável caro leitor, que quando terminar o primeiro tomo, tudo que seja capaz de sentir, seja senão, ódio... irá odiar por amar uma coisa que deveria odiar. Até não saber mais de quem é a voz que fala!

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domingo, 2 de janeiro de 2022


Que 2022 traga novas ideias, grandes conexões e ações transformadoras! Agradeço a todos os leitores que mergulharam no universo de CtÔnIo: Memórias do Deus da morte, e convido aqueles que não conhecem a obra para esse novo desafio literário.

É possível explicá-los em poucas palavras? Eles mesmos serima capazes de fazer isso? Tanto Nietzsche quanto Freud, são personaldiades icônic...