terça-feira, 15 de fevereiro de 2022


De todas as dicas valiosas para a escrita que já recebi, talvez, a que considero mais importante é: escreva primeiro para você! Isso pode soar um tanto egoísta, no entanto, é algo que todo escritor consegue sentir ao ver sua obra acabada. Isso porque, escrever é ter algo a dizer para as outras pessoas, e se começarmos a nos engessar em métodos, temas da moda ou formas de linguagem, podemos perder a essência de nosso objetivo.
É evidente que seguir certos procedimentos técnicos, é importante, como estarmos atentos ao que os leitores estão de olho, ou detalhes gramaticais, porém, se não deixarmos nossa voz interior falar, arriscamos mecanizar as palavras, e estas, perderão seu brilho. No fim, podemos nos perguntar se nosso esforço atingiu seus objetivos, e a resposta será positiva quando, diante da obra concluída, sentiremo-nos parte de algo maior, ainda que isso tenha vindo de nós mesmos.
O escritor precisa ter familiaridade e estranheza frente ao seu produto, resultado este, que não é somente uma construção racional, e sim, um reencontro com aquilo que existe de secreto e desconhecido em cada leitor e, por que não, algo que soe único e autônomo. A obra pode ter seu nome, mas precisa ter vida própria, do contrário, tende a repetir-se.




Todos os direitos são reservados a Leandro Matzenbacher Dourado, é proibida a divulgação de material, sem autorização.


Onde encontro inspiração para a escrita?
Essa é uma questão estranha. Gosto de pensar que a escrita é como a fumaça, e que sua causa, o fogo, é a leitura. Existem diferentes tipos de leitura, não basta sermos ávidos leitores. Há muitas pessoas que se dedicam a esse nobre ofício, mas não escrevem uma linha sequer. Logo, prefiro pensar que TUDO é um texto. É evidente que isso não nos exime como escritores, de sermos leitores compulsivos. Todavia, escrever vai além de manifestar arremedos ou criar uma rotina. O escritor é uma criatura sensível, é do tipo que absorve sons, cheiros, pequenas mudanças na temperatura ou simplesmente, desenvolve a capacidade de sentir sutis diferenças no ar.
Penso que esse é um bom começo. Você pode ser silencioso por fora, mas por dentro, deve alimentar o caos. O caos, a inquietude e os sentimentos, são excelentes fontes inspiradoras. Podemos dizer que quando tudo vai bem, a escrita fica pacata, porém, quando o mundo a nossa volta parece sofrer de indigestão, é que as letras ganham sumo, elas saltam com facilidade, isso porque, sentem quem precisam comunicar sobre o que está escapando pelo invisível.
Portanto, a boa inspiração, é uma equação sem equilíbrio, vibrando e desejando ser lida, absorvida e percebida. O mundo, a realidade, o costume, coisas normais, em suma, são detalhes obscuros, abismos secretos. O escritor é uma criatura que enxerga detalhes, é um ser que consegue observar os detalhes da costura incolor que cinge fatos, propósitos e anseios. De todos os requisitos que cremos serem os mais encantadores para motivar a escrita, suponho que nenhum é tão poderoso quanto o simples querer.
Você pode não ter nada sobre o que escrever, pode sequer, estar nu de conceitos ou ideias... Contudo, se o querer estiver presente, este, é o seu começo. A questão não se limita em olhar para algo e descrever, ou, observar pessoas ao longe e imaginar o que pensam, a questão é encontrar o que ainda não foi dito. Algo que, ainda que discreto, possa ser percebido pulsando um palmo abaixo do óbvio. Por fim, deixemos o coração tomar as rédeas, ele sabe onde estão as passagens secretas, depois, deixamos o coração tomar fôlego e requisitamos o cérebro para corrigir pequenos desleixos e, dar voz racional aos imensos constructos da alma.

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É possível explicá-los em poucas palavras? Eles mesmos serima capazes de fazer isso? Tanto Nietzsche quanto Freud, são personaldiades icônic...