Leandro Matzenbacher Dourado, nasceu em
31/03/1979 na cidade Pato Branco PR. Na infância, manifestou talento singular
ao expressar habilidades no desenho. Foi uma criança solitária, isso lhe
permitiu criar suas primeiras aventuras com brinquedos. Sempre cercado por
livros, afirma que ainda não sabia ler, mas ficou fascinado ao descobrir no
galpão da antiga casa, uma rica coleção de enciclopédias. Imagens de
dinossauros, animais marinhos e terrestres ocuparam suas primeiras releituras. Depois,
vieram as revistas em quadrinho e os desenhos da televisão. Era comum ser
flagrado vendo desenho em posse de um bloco, para copiar seus personagens
preferidos.
Teve uma adolescência agitada, vôlei, artes marciais, jogos de videogame
e visitas diárias nas antigas locadoras de videocassete. Atento, lia as sinopses
dos filmes, decorava as falas, memorizava nomes dos artistas... Em 1998, entrou
para o teatro. Foi uma ocasião inusitada, seu começo se deu na cenografia,
onde, de modo confortável, permitiu expressar a arte do desenho na confecção e
pintura de fundos com aerografia. Em 1999, a paixão pelas artes cênicas o levou
aos palcos também como ator e, logo, se viu escrevendo alguns ensaios. Na ocasião,
surgiu seu primeiro texto, uma comédia de terror chamada a “Casa que Espantava”.
O momento foi propício, a peça foi encenada e lotou o teatro municipal
rendendo-lhe uma moção de aplausos na Câmara de Vereadores naquele ano. Não
demorou para o espetáculo oferecer novas oportunidades. A peça foi traduzida
para o idioma Esperanto e levou a Companhia para os palcos no Congresso Mundial
de Esperanto juvenil em 2001. Em seguida, os artistas foram para o Congresso Mundial
de Esperanto em Fortaleza CE.
Uma revolução ocorrera, aprender um novo idioma, ler e estudar obras
clássicas, ensaios, oficinas de teatro, uma época atribulada. No mesmo ano,
Leandro entrou para a faculdade de Filosofia na cidade de Palmas PR. Os estudos
solicitaram seu tempo e teve que dar uma pausa no teatro em sua cidade. Todavia,
a arte se manteve ao seu lado, pois, logo em 2002, recebeu uma bolsa de estudos
para trabalhar com um grupo de teatro acadêmico.
O foco havia mudado, porém, o teatro e o aprofundamento na filosofia
levaram o escritor a refinar seu talento. A biblioteca se tornou sua segunda
casa e o teatro uma forma de testar e produzir resultados. O convívio
universitário abriu portas. Outros escritores, poetisas e talentosos mestres lapidaram
sua escrita e seu gosto pela literatura. Em 2003, Leandro dirigiu o Espetáculo “Palmas
ao sopro do vento”, uma peça, estilo teatro de revista que abordava a trajetória
dos frades franciscanos no período da guerra do contestado.
A peça foi selecionada para participar do FILO, Festival Internacional
de Teatro de Londrina, onde foi apresentada e trouxe novas conquistas. Formado
em 2004, Leandro permaneceu trabalhando na instituição que o acolheu até meados
de 2005, por fim, retornou a sua cidade natal no final do mesmo ano e foi recebido pela antiga companhia. Em 2008, após diversas turnês, Leandro escreve
uma nova comédia. Desta vez, o texto “Quem matou Arthur”, expressou visíveis
diferenças, dado que o autor recriava de forma irônica e sínica, momentos
peculiares das histórias e personagens medievais.
A nova comédia, trouxe Leandro para uma etapa mais madura de seus
escritos, rendeu-lhe outra tradução para o Esperanto e uma segunda turnê com o
espetáculo, finalizando na segunda ida para Fortaleza. Em 2009, uma decisão
mudou a carreira de Leandro no teatro. Desligou-se definitivamente de sua
antiga Companhia, a qual muito tem a agradecer. Contudo, era preciso, sua independência
estava em jogo. Sabia que se quisesse expressar sua identidade dramática e
encontrar sua verdadeira voz, teria que dar um passo além. Criou o Grupo
Teatral Gayatri. Nome este que ele empresou da crença hindu, homônimo ao
mantra, Gayatri, o recente grupo seria sua nova casa.
Os integrantes foram selecionados rigorosamente a partir de uma oficina
teatral que ministrou na escola pública onde lecionava. Alunos do Ensino Médio
que fizeram suas carreiras ao lado de Leandro durante os próximos 10 anos, tempo
este, que durou a nova Companhia. Na mesma ocasião, a equipe contou com a
presença de dois importantes integrantes convidados por Leandro para
reforçar o novo elenco, seu irmão, ator e coreografo marcial e uma atriz de
grande talento que ajudou a trazer identidade ao grupo.
Ao longo de 10 vibrantes anos, Leandro escreveu, dirigiu e atuou no
Gayatri em muitos segmentos. O primeiro grande sucesso veio com o recital de
poemas “As Flores do Mal”, obra do poeta francês Charles Baudelaire. Sem
delongas, mais de 30 textos foram para os palcos do sudoeste do Paraná e diversas
cidades de Santa Catarina. Elementos das artes circenses, dança de salão, como
o Tango, artes marciais, o velho e conhecido Kung-Fu, foram adicionados aos
repertórios de cena. Sem contar com os talentos musicais presentes na Trupe,
que somaram seus talentos e permitiram peças dinâmicas com textos musicados.
Em 2010, ocorreu a estreia do Espetáculo, “O
Velório da Barbie”, tornando-se rapidamente o carro chefe da companhia. Exibida
para mais de 10 mil expectadores em menos de 3 anos de trabalho, a peça fez
história. Dividindo a dianteira das bilheterias, o drama “Memórias do Oriente”,
consagrou-se como uma das peças mais queridas pelo elenco, público e crítica do
momento.
A Companhia contava com dois grandes segmentos de mercado teatral, a comédia
“Velório da Barbie” que lotava teatros em toda a região, com seu humor ácido,
cenas picantes e hilárias. A irreverência do texto revelou os bastidores da
futilidade e da quebra de padrões estéticos no mundo da moda. Em contrapartida,
“Memórias do Oriente” era profundo, denso, quase sufocante.
A narrativa prendia pela grandeza visual, cenas tétricas de loucos num
hospício, cuja linguagem oscilava entre Hai-kai e monólogos sobre a decadência
humana no mundo pós-moderno. Sem esquecer de mencionar o apelo dramático de
cenas que apresentavam batalhas emblemáticas entre o Tigre e o Dragão, no
melhor estilo Kung-Fu contemporâneo e acrobacias circenses.
A Companhia viveu dividindo sua vida com os palcos. Peças empresariais,
festas de 15 anos, casamentos, formaturas, atores para performances, dança,
escolas, teatro nas ruas, praças e lugares fechados. Anos intensos, o
espetáculo “Velório da Barbie” carregava um desfile de moda com apresentação de
modelos vestidas exclusivamente para a abertura, protagonizando um Show dentro
de uma peça de teatro.
Finalmente, em 2014, atendendo a pedidos do público, Leandro escreve uma
sequência para sua mais icônica comédia, então, surge o “Sequestro da Barbie”.
Desta vez, o foco não era mais os palcos e o mundo da moda, mas um deslocamento
das aventuras da personagem e suas amigas do subúrbio para o universo dos
Cosplayers. A peça trazia em seu arcabouço de cena, personagens dos jogos
virtuais como Mortal Kombat e do cinema como sátiras à saga Crepúsculo e X-Man.
Um novo sucesso estava definido, sua estreia lotou o Teatro SESI e marcou o fim
de uma era para o teatro do Sudoeste do Paraná em 2015.
O ano de 2016 marcou o fim do Gayatri, Leandro estava cansado e
precisava de um tempo. Mudanças na vida pessoal e profissional, ainda que
anteriores ao fim decretado, marcaram seu pensamento e o fizeram se
retirar dos palcos, salvo alguns espetáculos esporádicos para o cumprimento de
agendas já comprometidas, era o começo do fim.
No mesmo ano, havia um projeto que desde 2014 tirava o sono do autor,
era uma peça densa, poderosa e pesada, apenas o primeiro ato estava completo,
todavia, Leandro sentiu que não servia mais para o tempo que se mostrava. Eis Ctônio.
O livro do qual hoje Leandro é autor, surgiu primeiramente como um texto
teatral, mas aos seus olhos, talvez, seria impossível de se praticar naquela
época.
Muitos eram os empecilhos, elenco fragmentado, poucos artistas com
gabarito para desempenhar papéis viscerais e abismos dissonantes entre a arte vigente
no cenário atual do país, levaram Leandro a engavetar a última esperança e
desistir do projeto.
Somente em meados do final de 2019 a
ideia saiu do papel. Leandro decidira reescrever Ctônio, mas desta vez queria
transformá-lo num livro. Sabia que muita coisa havia de ser dita na obra, e
entendia que para isso, o tempo de uma peça teatral seria insuficiente.
Logo, pôs-se a escrever e dar vida nova ao roteiro adormecido.
Dessa intensa etapa de maturação, recortes foram feitos e novos contextos foram
criados. A soma de dolorosos anos de ostracismo, gestou o que hoje, o leitor
tem a oportunidade de conhecer como: Ctônio: Memórias do Deus da morte. Primeiro
livro de uma trilogia, Ctônio é sem dúvidas, uma obra perturbadora, inquietante
e hipnótica. Traz ao leitor reflexões ímpares sobre a natureza do pensamento,
um percurso alucinante pela história da filosofia e um mergulho sem precedentes
ao universo mitológico de muitas culturas.
Thanatos, o deus grego da morte é o personagem principal, ele decide dar
um fim em sua carreira e descobre que para isso, terá que superar seus maiores conflitos
e de quebra, decide contar ao leitor a sua versão pessoal da história do mundo.
Repleto de reviravoltas, referências irônicas e virulento, Ctônio é um livro
para todos e nenhum, é um mistério a ser descortinado por cada pessoa que, em
confidência e cumplicidade com a morte, deseja tornar-se íntimo dos sentimentos
que perturbam a alma. A obra é um exercício intuitivo, leitura
obrigatória para quem deseja dar voz aos pensamentos mais íntimos e soturnos do
seu inconsciente.
Que história legal, é sempre bom saber como surge a inspiração de um escritor. Parabéns
ResponderExcluirObrigado!
ResponderExcluirComecei a ler, acho que entendo agora porque vc disse que seria difícil transformar numa peça de teatro. Prefiro mesmo como um livro, mas se um dia virar filme seria legal.
ResponderExcluirCarreira de respeito.
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