sexta-feira, 21 de julho de 2023

Cuidado com as palavras da "moda".





     No artigo de hoje, pretendo abordar um tema que aparenta ser "descolado", mas é importante refletir suas nuanças. De fato, a presente análise, termina por fazer mais sentido aos que escrevem, embora não deva descartar o assunto aos que se ocupam da leitura. Trata-se das palavras que estão na "moda". Isso nos pega de surpresa. Começa com o título de uma notícia, uma postagem ou um corpo dissertativo. Não importa, a coisa está no ar. Se formos um tanto neuróticos, veremos mais que o esperado. 
     Como a tentativa é um convite, não vou me ater em fazer uma lista de termos, os quais, julgo serem os preferidos desse ou daquele nicho literário. A ideia é que a provocação prevaleça, e que os leitores, tal qual os escritores de plantão, sintam-se instigados. Isso nos leva a uma pergunta:- Quem disse que precisamos usar certas palavras da "moda" para que nossos textos sejam lidos ou levados a sério? 
     Vivemos um curioso advento, o da invenção de significados. Não que isso seja proibido, quando muito, posso considerar esse recurso como um tempero do escritor. O que perturba, muitas vezes, é que muitas narrativas contemporâneas, estão empanturradas de colóquios coloridos, decorados de contornos sofisticados, mas que, em suma, são vazios, pouco eficazes e muito, mas muito bregas. 
      Ao que tudo indica, aos mais inexperientes, existe um consenso. O de que se o texto carrega uma imensa gama de palavras do momento, isso serve como a receita do sucesso, (coisa do algarítmico?) O problema é que, não! De forma alguma, um conjunto de palavras bem escolhidas, seja pela inteligência artificial, ou pelo belo repertório da leitura de autoajuda, não é garantia de uma obra bem elaborada. Quando muito, isso pode soar, de início, como uma boa largada, entretanto, no que se refere a uma escrita elabora, esse conjunto de verbetes, mais atrapalha, que ajuda. 
     Lembremo-nos dos clássicos, esses que assim são chamados pela sua capacidade universal de se manterem atemporais. Imagina Dostoiévski ou Shakespeare, escrevendo suas grandes obras, reféns de um compêndio de palavras, ao invés de assumirem suas reais funções de legistas da gramática, ao dissecarem os sentimentos humanos, presos a um método tão espúrio? 
     A ideia é mais simples que parece. Quer escrever, escreva com o coração, depois ajuste com a mente, como já disse o poeta. Esse, ainda é o método mais eficaz, pois, faz surgirem verdades inconscientes que se relacionam com a realidade. É exatamente o contrário de um desejo vaidoso de se mimetizar uma falsa capacidade que se mostra insustentável depois da segunda página. Quer uma boa referência? Comece com os grandes. É impossível ser enganado, seja na condição de leitor ou de escritor, um espírito astuto que tem em sua bagagem, as prerrogativas de um Otto Maria Carpeaux, por exemplo. E que tal, uma boa base histórica como Heródoto? 
     Sem contar, os que, hoje, usam de um presentismo imoral, para criticar o passado com suas metáforas pífias, crendo avaliar decisões e julgamentos de natureza monumental, munidos tão somente de impressões caricatas que compraram das páginas recalcadas do pensamento secularista... Não é de se estranhar que com tais arremedos, o aspirante à escrita, ou mesmo o leitor mediano, se sintam muito confortáveis ao pressupor que a Idade Média, resume-se exclusivamente em um período negro da história onde queimavam bruxas a cada 30 minutos. Hajam bruxas. Nem hoje, momento aborrido, onde o mundo é uma invenção pessoal de cada um dos 8 bilhões de seres humanos, isso é tão possível. 

 Todos os direitos são reservados a Leandro Matzenbacher Dourado, é proibida a divulgação de material, sem autorização.

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