terça-feira, 4 de julho de 2023

Técnica narrativa em Ctônio: Memórias do Deus da morte.




     A obra Ctônio: Memórias do Deus da morte, segue um percurso narrativo sui generis, pois, apesar de dar intensa prioridade ao narrador em primeira pessoa, o leitor tem a oportunidade de experienciar sensações muito singulares ao longo da trama. Um dos diferenciais, é a maneira como o autor, L.M. Dourado cria uma relação ambígua através das memórias de Thanatos e, simultaneamente, permite que o leitor ocupe um lugar de destaque à medida que se torna cúmplice do personagem. 
     Isso se deve ao recurso usado para estabelecer um diálogo abstrato com as estruturas inconscientes e as referências muito ricas que ficam disponíveis para serem estabelecidas as comparações. Vez por outra, surgem ainda, muitos questionamentos de ordem moral, estética e acerca da natureza da ideia de verdade. Embora o texto tenha sua identidade estabelecida pela profundidade com que o tema da morte é tratado, há momentos muito pessoais, quase em tom confessional, onde o leitor não se pega apenas pensando sobre o que lê, mas em contradição com as próprias respostas às perguntas feitas pelo deus da morte e suas poéticas intenções. 
     Outro diferencial na leitura, está fixado nos episódios em que o personagem principal está ausente. É comum que nos perguntemos; como isso é possível num livro em que o texto é marcado pela presença da primeira pessoa do discurso? Ora, eis aqui outro mecanismo, uma vez que em tais momentos da história, o leitor é "tomado emprestado" por outros personagens que assumem a voz da narrativa e, ainda que se mantenha o formato, quem oscila é a dissonante personalidade de novas percepções. Neste caso, a presença de Ares, o deus da guerra, Hipnos o deus do sono e o próprio Crânio da morte, adquirem uma intenção ímpar e tecem suas versões dos eventos. 
     Essa estratégia de sugestão caótica é proposital, já que em meio a tantas desventuras, tal como num louco debate de sentimentos e conflitos de poder, o todo da obra se ordena por vontade própria e cinge uma gigantesca colcha de retalhos. Por fim, a obra é coesa mesmo soando difusa, logo, o resultado estético se torna o perfeito convite para o mergulho sem precedentes. Parada obrigatória para os amantes da ficção, mitologia, filosofia e literatura universal.   



Todos os direitos são reservados a Leandro Matzenbacher Dourado, é proibida a divulgação de material, sem autorização.

Um comentário:

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