Em Ctônio: Memórias do Deus da morte, a fascinante história de Ícaro é mencionada. Não chega a ser recontada como a de Prometeu, entretanto, serve para Thanatos como uma saída diante de um confronto inevitável.
A lição deixada por Ícaro, é por vezes, interpretada por muitos, como uma desobediência ao pai, pois este, após confeccionar asas de cera e penas mortas, desafia o vazio e voa para às alturas... Perto em demasia do sol, suas asas se dissolvem, e o pobre Ícaro descamba no mar.
Contudo, o sagaz deus da morte tira proveito de tal aprendizado, embora tenha obtido dessa afronta aos desígnios, um novo sentido. Tem a ver com a liberdade, como os desafios da vida e com a nossa vontade interior de flertarmos com o desconhecido...
Afinal, esse ímpeto é a mola propulsora da história, da filosofia e da ciência humana. Ícaro se repete em cada grande ato humano, ainda que frente tantas consequências. Foi dessa forma que o homem pisou na lua, mergulhou nas profundezas dos mares e, aos moldes de Freud, foi esse mesmo homem quem um dia desceu aos escuros abismos do inconsciente para descobrir a senha do cofre do diabo.
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